Perdida na grande cidade de Lisboa. Dou por mim a deambular por ruas que mais parecem avenidas, aglomerado de pessoas que se juntam à espera da luz verde da travessia de uma pequena passadeira…crianças, idosos, jovens e não só, todos perdidos num Mundo que pensam ser deles, que julgam que lhes pertence…ideias loucas, infundadas quando à noite regressam aos seus lares, às suas pequenas vidas…
Não sei mais caminhar nesta selva de apressados, de inúteis que se atropelam pelo mais pequeno milésimo de segundo para cumprir com horários, onde não há um bom dia, um se faz favor, muito menos um “precisa de ajuda?”…onde vamos nós chegar neste mundo de evolução apressada mas estagnada da sociedade?
Em pequenos passos e sem correrias, avanço nesta multidão com destino a uma qualquer estação de comboios…pergunto pela possibilidade de trocar o bilhete de determinado comboio, pelo que parte mais cedo…respondem-me que sim, com certa urgência que me despache, que me desenvencilhe dos mais obstáculos que tenho nas mãos, como se não houvesse mais utentes atrás de mim.
Bilhete trocado, subo pelas escadas indicadas…linha 4…procuro algo onde se coma, onde se petisque, um pequeno snack, onde a responsável faz que nem me vê, onde o espaço ambíguo que trabalha se tratasse de qualquer departamento dos serviços públicos, onde só se atende quem se conhece, ou por senha…não tenho paciência para cidades…descobri isso…
Faz-me pernitência no meu cérebro o facto de que, para atravessar uma pequena ruela, exija esperar o dito boneco verde, que se apresenta em passo largo, o que parece indicar isso mesmo…andar sempre em passo largo, para que não se perca um segundo sequer.
O facto de esperar para atravessar uma rua, ruela, avenida, seja lá o que for implica ser alvo da água que se acumula nas sarjetas, e que disparam para cima de nós como se fossemos um alvo, então odeio a cidade.
Adoro o cheiro do campo e todos os cheiros que fazem parte de um mundo que não faz parte da cidade…
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